Grupo ISA-ABRI 2009
Informe OPSA:







 

Conferência Internacional conjunta International Studies Association (ISA) e Associação Brasileira de Relações Internacionais (ABRI), PUC Rio de Janeiro, RJ


Painel:
As estratégias de inserção internacional dos países andinos: desafios e perspectivas da integração regional

Coordenadores:
Maria Regina Soares de Lima (IUPERJ)
Marcelo James Vasconcelos Coutinho (IUPERJ)

Resumo:
A presente mesa pretende discutir os desafios e perspectivas da integração regional nos países andinos da América do Sul. Os trabalhos aqui inseridos abordam as diferentes estratégias de inserção internacional adotadas por Bolívia, Colômbia, Equador e Venezuela e sua interação com os processos mais amplos de integração continental e hemisférica, muitas vezes antagônicos. Ademais, a região tem se caracterizado pela persistência do fenômeno do narcotráfico e pela instabilidade política crônica de seus países, além de registrar, com certa freqüência, incidentes diplomáticos de maior ou menor gravidade entre seus países, o que lhe coloca como locus importante de atenção e reflexão acadêmica para os pesquisadores interessados nos rumos internacionais do continente.


1º Trabalho a ser apresentado:
Entre a ideologia e o pragmatismo: a política externa de Evo Morales (2006-2008)
Clayton M. Cunha Filho (IUPERJ)
Ana C. Delgado (PUC Rio)

O presente trabalho tem como objetivo analisar a nova agenda externa da Bolívia, fortemente marcada pela dinâmica de sua agenda interna. Na medida em que esta sofreu um forte giro à esquerda, também aquela sofreu forte inflexão, apontada por muitos como uma ideologização da política externa boliviana sob Evo Morales. Argumentaremos, entretanto, que a atuação da chancelaria boliviana está marcada também por fortes doses de pragmatismo e que, à exceção das relações com os EUA, os conflitos de natureza ideológica não trouxeram qualquer tipo de prejuízo ou conseqüência mais grave às relações da Bolívia com outros países. O trabalho se divide em quatro partes: na primeira, analisamos os objetivos da política externa boliviana e seu encadeamento com o processo interno de mudanças promovido por Morales. Na seção seguinte, abordamos as relações do país com os vizinhos sul-americanos e o processo de integração continental e, em seguida, as relações extracontinentais com especial ênfase ao tenso relacionamento com os EUA. Por fim, concluimos com algumas avaliações e reflexões de caráter mais geral acerca das mudanças nas estratégias bolivianas de inserção internacional.




2º Trabalho a ser apresentado:
A política externa colombiana durante os governos Pastrana e Uribe: Internacionalização do conflito armado, alinhamento estratégico e isolamento regional
Iara C. Leite (IUPERJ)
Luiz A. Gusmão (IUPERJ)

Com o avanço da década de 90 e do século XXI, a Colômbia experimentou o aprofundamento de um fenômeno único em sua história: a convergência entre suas principais questões domésticas e temas centrais da agenda internacional – narcotráfico, direitos humanos, meio-ambiente, migrações e terrorismo. O estreitamento da relação entre esses assuntos e o conflito armado interno fez com que a busca pela paz, por um lado, deixasse de ser mero assunto de interesse doméstico, e por outro, precisasse cada vez mais contar com o apoio externo. A coincidência entre temáticas domésticas e internacionais e a participação crescente de agentes externos, especialmente dos EUA, na luta contra as drogas e os grupos insurgentes levaram diversos estudiosos a falarem de uma “internacionalização do conflito colombiano”, que ganhou ímpeto com o governo Pastrana (1998-2002) e aprofundou-se durante os governos Uribe (2002-2006; 2006-2010). Neste trabalho, abordaremos a internacionalização como decisão explícita e consciente de agentes do governo colombiano de envolver de atores externos na busca pela paz. Conforme veremos, a partir da administração Pastrana o governo colombiano passou a vincular claramente o tema da insurgência à agenda da guerra contra as drogas e, posteriormente, à agenda da guerra internacional contra o terrorismo. Argumentamos que os governos Pastrana e Uribe utilizaram sua margem de autonomia para instrumentalizar, a seu favor, o alinhamento com as diretrizes da política externa norte-americana, de forma a adquirir recursos para capacitar o Estado no combate aos movimentos insurgentes. Como resultado, promoveu-se o estreitamento de laços com os EUA e a transformação do equacionamento do conflito colombiano em uma das prioridades da ação internacional norte-americana. Por outro lado, a Colômbia distanciou-se dos vizinhos sul-americanos, alimentando rivalidades e provocando crises diplomáticas com países limítrofes, notadamente Equador e Venezuela.




3º Trabalho a ser apresentado:
Limitações Estruturais e Instabilidade Política – desafios à integração regional do Equador
André L. Coelho (IUPERJ)
Vanessa C. Boanada (IUPERJ)

O objetivo do presente trabalho é analisar os potenciais e as contingências que se apresentam à inserção do Equador na integração sul-americana, enfatizando suas relações econômicas e comerciais. Para este fim, analisaremos, sobretudo, as limitações e pressões domésticas e internacionais à capacidade do Estado de desenvolver uma política externa independente. A política externa do Equador é marcada pela ausência de planejamento estratégico de longo prazo. Dois são os principais obstáculos para o estabelecimento de uma agenda coerente: (i) limitações econômicas, calcadas na primazia da exportação de bens primários de baixo valor agregado, em especial o petróleo, principal produto de exportação, cujo oscilante preço no mercado internacional aumenta a vulnerabilidade econômica; e, (ii) recorrentes períodos de instabilidade política doméstica, refletidas por conflitos entre poderes, sucessivas manifestações sociais e quedas presidenciais. A baixa diversificação comercial do país leva à maior dependência econômica externa e à diminuição dos graus de liberdade do Executivo, que encontra-se fragmentado pela disputa entre diversos grupos de interesse, sejam eles conservadores ou progressistas. Isso tem se refletido nos acordos comerciais assinados pelo Equador, na sua relação com as empresas multinacionais, com os Estados Unidos e, particularmente, nas dificuldades para a concretização dos projetos de integração regional. Apontaremos, assim, as incongruências da política externa equatoriana, a partir da análise dos seguintes eventos: o recrudescimento das relações fronteiriças com a Colômbia; as limitações sociais e ambientais à exploração dos recursos naturais e a iniciativa de revisão dos contratos com petrolíferas multinacionais; a baixa diversificação da pauta de exportações equatoriana, dominada pela produção de produtos primários com baixo valor agregado; e, o conseqüente déficit na balança comercial que leva ao endividamento e às medidas de revisão da dívida externa do país. O somatório destes eventos tem gerado tensão nas relações externas do país e dificultado sua inserção na região.




4º Trabalho a ser apresentado:
Socialismo, multipolaridade e integração regional na política externa do governo de Hugo Chávez
Regina Kfuri (IUPERJ)
Fidel Flores (IUPERJ)

Este paper se propõe destacar as diretrizes mais relevantes da política externa venezuelana dirigida por Hugo Chávez, identificar os traços de continuidade estrutural com os quais sua administração deve lidar e explorar os motivos que limitam e reforçam os objetivos da agenda externa deste governo nos planos regional e global. A integração regional sobre bases socialistas e a construção de eixos a favor de um mundo multipolar e antiimperialista são pilares essenciais que a política externa do governo de Hugo Chávez projeta com maior ênfase desde 2004. Em nome desses eixos principais, a política externa busca ampliar as relações do país na região e fora dela, buscando novos parceiros e apostando na diversificação e multipolarização das relações internacionais. Os avanços e os entraves ao cumprimento de sua agenda externa têm explicações que serão exploradas nesse paper através de duas dicotomias fundamentais. No plano político, a política externa venezuelana se caracteriza pela tensão entre a liderança exercida por Chávez internacionalmente e a polarização provocada pela radicalidade de sua retórica. No plano econômico, essa política externa se divide entre as oportunidades proporcionadas pelos recursos petrolíferos na sua formulação e implementação e os constrangimentos causados pela dependência quase exclusiva destes mesmos recursos.