Grupo ANPOCS 2008 2.2
Informe OPSA:







 

A Turquia e a União Européia: a questão da cultura e o futuro do processo integrativo em perspectiva

 

Renata Barbosa Ferreira (PUCRIO)


Resumo:
O presente trabalho tem por finalidade discutir e analisar a importância e os rumos do processo integrativo europeu a partir de um duplo propósito investigativo. O primeiro propósito é o de desvelar como temas e conceitos relacionados a idéias, valores, cultura e identidade passaram a ser discutidos em relações internacionais e a fazer parte dos estudos teóricos sobre a União Européia, tanto em sua formação, quanto em seu processo de consolidação e alargamento. O segundo propósito, por sua vez, se desenvolverá em torno dos debates sobre o futuro do processo integrativo europeu, procurando avaliar os principais percauços por ele enfrentados, a partir das discussões em torno do caso da Turquia e seus esforços para entrada na UE.

Resumo expandido:
O fim da segunda guerra mundial trouxe consigo algumas preocupações, dentre elas as que giravam em torno do crescimento da interdependência internacional e do surgimento de processos de regionalização e integração de variados conteúdos. Essa nova realidade deu ensejo ao gradual desenvolvimento de teorias de integração que procuraram, a partir de diferentes abordagens, dar conta dos novos desenhos institucionais e políticos decorrentes das primeiras experiências integrativas. O pioneirismo do processo integrativo europeu, a partir da comunidade européia, marcou de forma indelével a história das teorias de integração e tem papel central nos debates atuais não só por causa das características peculiares de seu desenvolvimento como também pelos avanços e sucessos obtidos, sobretudo em termos políticos. Contudo, seus sucessos não foram resultado de um processo evolutivo tranqüilo e constante. Seu desenvolvimento tem sido marcado por inúmeros obstáculos os quais têm impelido os teóricos de integração e de relações internacionais cada vez mais a buscarem uma crescente interdisciplinariedade dentre as várias áreas das ciências humanas, em sua ânsia de obterem respostas e soluções. Nosso propósito, no presente trabalho, será discutir mais especificamente as contribuições dos construtivistas, em seus estudos sobre a relevância das idéias, normas, instituições e identidades para a política internacional e para os processos integrativos. A partir das análises de autores construtivistas como Thomas Risse, Bahar Rumelili, Roger Morgan e Annika Bjordahl, procuraremos discutir as bases teóricas e/ou empíricas de construção da União Européia e questionar seu funcionamento a partir de seus principais paradoxos, inconstâncias e dilemas. Tais desafios são, em grande medida, exemplificados pelos intensos debates em torno dos esforços da Turquia para sua entrada na UE, um caso que representa, em vários aspectos, um ponto de partida para o entendimento sobre o futuro do processo integrativo europeu e do seu projeto político.